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A Perfeita Alegria


"Pai Francisco", disse Clara, "foste um assolador implacável. Queimaste, varreste, demoliste casa, dinheiro, pais, posição social. Avançaste para profundidades maiores: venceste o ridículo, o medo do desprestigio. Escalaste o pico mais alto da Perfeita Alegria. De tudo te despojaste para que Deus fosse teu Tudo. Mas se agora reina alguma sombra em teu interior, é sinal de que estás apegado a alguma coisa e que Deus ainda não é o teu Tudo. Daí a tua tristeza. Em resumo, é sinal de que catalogaste como obra de Deus o que, na realidade, é obra tua".


"Para a Perfeita Alegria só precisa uma coisa: desapegar-te da obra de Deus e ficar só com o próprio Deus, completamente despojado. Ainda não és completamente pobre, Irmão Francisco; e por isso ainda não és completamente livre nem feliz."

"Solta-te de ti mesmo e dá o salto mortal: Deus é e basta. Abandona teu ideal e assume com alegria e felicidade essa Realidade que supera toda realidade: Deus é e basta. Então conhecerás a Perfeita Alegria, a Perfeita Liberdade e a Perfeita Felicidade."


Clara ficou em silêncio. Sem perceber, o Irmão deixava cair lágrimas tranqüilas. Uma embriaguez semelhante à aurora do mundo apoderou-se completamente de Francisco. Sentia-se imensamente feliz.


"Deus é e basta", repetia soluçando. Levantou-se devagarzinho, sem levantar os olhos, cheio de felicidade, e disse, pela última vez: "Deus é e basta. Esta é a Perfeita Alegria."


E dizendo isso, virou-se e foi embora chorando, sem se despedir de Clara. O mesmo fez Clara.


Do livro O Irmão de Assis do Frei Inácio Larrañaga