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  • há 10 horas
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Consolação


Na tristeza, na doença, no luto, precisamos de conforto. A família e os amigos vêm nos consolar quando outros nos abandonam. Mas mesmo essas palavras são apenas um alívio superficial. Ficamos sozinhos com nossa dor. Nos momentos decisivos, estamos sozinhos.


Tanto o profeta Jeremias como o profeta Isaías oferecem um “livro de consolações”. Deus se apresenta como um Pai carinhoso anunciando que “por pouco não te abandonei, mas com grande compaixão te recolherei” (Is 54, 1-9).


Há momentos em que nada nem ninguém é capaz de nos consolar. A desolação alcança níveis demasiado profundos: nem amigos nem parentes os que nos amam podem chegar a essa profundidade. Às vezes, há situações indescritíveis e mesmo indecifráveis para nós mesmos; não se sabe se é solidão, frustração, saudades, vazio ou tudo junto. Só Deus pode chegar até o fundo desse abismo.


Não há alma que não tenha feito esta experiência: estando nessas condições, de repente, sem saber como, sente uma profunda consolação como se um óleo suavíssimo tivesse sido derramado sobre as feridas. Deus desceu sobre a alma ferida como uma branca y doce enfermeira. A consolação de Deus parece um óleo derramado que chega até as feridas da desolação.


E se a desolação for devida à ausência de Deus, uma “visita” de Deus pode “mudar a escuridão em luz; brotarão mananciais de água e os montes se transformarão em caminhos e os desertos em jardins” (Is 43 1-4).


Extraído do livro “Mostra-me o teu Rosto” do Frei Inácio Larrañaga

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