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  • 15 de mai.
  • 1 min de leitura

Da pobreza ao amor

 

Depois do rumor de nossos passos ter surgido no tempo, e depois que o tempo chegou a seu zênite, Cristo fez-se presente no tempo e, renunciando às vantagens de ser Deus, submeteu-se a todas as desvantagens de ser homem, e uma vez reduzido a nossa estatura, desceu a nível infra-humanos.

 

Rebaixado ao nível desses abismos, afundou ainda mais até tocar o extremo, o pó do nada, negando seu próprio instinto de viver em obediência amorosa ao Pai, cuja vontade tinha permitido ou disposto que o Filho amado desaparecesse nas ruínas da catástrofe, submisso e obediente até a morte, e morte de cruz.

 

Foi aqui que a Liberdade levantou triunfalmente sua cabeça coroada de luz. Negando a si mesmo, Cristo transcendeu a si mesmo. Isto é, negando-se, fez em seu ser um enorme vazio, e esse vazio foi para ele o espaço de liberdade que lhe permitiu ser o homem para os outros homens. Porque foi livre, foi disponível. E, estando disponível, pôde ser o servidor do Pai e dos irmãos. Da pobreza ao amor.

 

Extraído do livro “O pobre de Nazaré” do Frei Inácio Larrañaga

 

 

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