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O Profeta de Nazaré

Pelas aldeias disseminadas nas margens do lago correu a voz de que, em determinado dia da semana, o profeta de Nazaré ia agir no gramado que se estendia atrás do primeiro outeiro, na saída de Cafarnaum. Quando chegou o dia vindo tanta gente reunida, Jesus sentiu como se um vinho velho levantasse ondas em seu coração. Não podia dissimular sua alegria. Havia jardins em flor nos seus olhos. Vou mostrar-lhes —pensava— as ladeiras mais secretas do meu coração, onde está escrito o nome de meu Pai. Vou revelar os segredos mais recônditos de minha alma.


Começou a falar lentamente, com certo ar de suspenso mágico: Hoje podem acontecer coisas nunca vistas. Levantem uma pedra qualquer e vão se encontrar com o Pai". Já viram o sol dançar? Hoje podem vê-lo nas folhas daquele limoeiro. Olhem o lago, lá longe. Estão vendo o riso da luz? Hoje pode haver surpresas: dos recantos do esquecimento podem vir visitá-los os sonhos e desejos mais escondidos de sua vida. Andem com cuidado, porque dá cinza pode saltar uma faísca capaz de incendiar o mundo. Deus mudou de nome: já não se chama Javé, chama-se Pai. É dele que estamos falando nesta manhã. O Pai descansa à sombra dos álamos e no mar profundo de seus pensamentos. Nos não podemos oferecer-lhe mais do que lamentos e lágrimas, mas Ele nos banhará no mar da ternura e vamos rir e ser felizes outra vez.


Do livro O Pobre de Nazaré do Frei Inácio Larrañaga