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Transformando a dor em amor
Nesta tarde, Pai amado, justamente quando a dor e a morte me derrotam aparentemente, quero estabelecer um reinado de libertação sobre a dor e a própria morte.
Ó, Pai de ternura: nesta tarde eu tomo nas mãos este cálice amargo e o deposito amorosamente em vossas mãos como dom de amor e preço de resgate. Assumo a dor da humanidade inteira em minha própria dor. Assumo o assassino de milhares de seres inocentes em meu próprio assassínio. Quero carregar as infinitas injustiças e atropelos da humanidade em meu próprio justiçamento. Em minha agonia, agonizarão os moribundos de todos os séculos.

Quero que nesta tarde, Pai amoroso, o imenso cúmulo do sofrimento humano, uma vez transformado em amor na minha dor, tenha sentido de redenção e valor de expiação, e assim a dor seja santificada para sempre. Numa palavra, quero que nesta tarde a dor e o amor se abracem como o crepúsculo e a aurora, e seja a redenção uma árvore de fronteiras abertas que, com sua sombra, cubra a humanidades inteira. Quero empurrar a humanidade para um lar desconhecido, libertar os cansados pés das pesadas correntes e pôr em movimento um amor que não possui nem é possuído.
Já chegou o dia da vindima para os humildes. Pelas rotas escuras da noite avança a aurora, e nas próprias entranhas da morte brota e cresce, ereta como o cipreste, a árvore da ressurreição.
Extraído do livro “O pobre de Nazaré” do Frei Inácio Larrañaga




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